Robo-Advisor e Open Banking

Uma pesquisa da Digital Banking Report apontava dez tendências claras para indústria bancária mundial, as quatro primeiras eram: 1) Remover o atrito da jornada do cliente (que seria User Experience), 2) Usar dados importantes, Inteligência Artificial, Analise avançado de dados (robo-advisor), 3) Melhorias de integração e entrega multicanal (APPs, Sites, Redes Socias), e o 4) Abertura de APIs. Neste cenário vamos a comentar sobre a relação do robo-advisor e o open banking.

Segundo o Open Banking-Org de UK o Open Banking é a maneira segura de fornecer aos provedores acesso às suas informações financeiras. Ele abre o caminho para novos produtos e serviços que podem ajudar os clientes e as pequenas e médias empresas a obterem um melhor negócio.

Atualmente, alguns aplicativos e websites usam a captura de tela, o que envolve o fornecimento de seus detalhes de login e senha para que eles possam fazer login na sua conta e analisar suas informações financeiras ou efetuar pagamentos em seu nome. Com o sistema bancário aberto, nunca é solicitado que você compartilhe sua senha ou seus detalhes de login com alguém que não seja seu próprio banco. Na Europa o Open Banking Europe (OBE) reúne os participantes do mercado para transformar requisitos regulatórios em realidade operacional. Para esse fim, a OBE está trabalhando para fornecer à indústria serviços da diretriz PSD2.

A Conexao Fintech comenta que com Open Banking vai ser possível acessar diversas contas, mesmo de instituições bancárias diferentes, em um único internet banking. Não será mais necessário usar vários aplicativos ou tokens, e também terá portabilidade de conta corrente, como mudar de banco tão simples como mudar de operadora de celular.

O The UK guide for the private investor comenta que o Open Banking foi desenvolvido pela Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA), que temia que as pessoas estivessem pagando demais pelas contas correntes, e a dificuldade de comparar as transações estava impedindo que elas mudassem. O Reino Unido é o primeiro país do mundo a introduzir esses padrões.

O MUCKLE (Next Generation Savings and Investment) diz que o Open Banking e a tecnologia de robo-advisor transformarão a indústria bancária, à medida que as normas bancárias abertas entram em vigor no Reino Unido e na Europa, os bancos integram os robo-advisor em sua gama de serviços existentes.  A introdução do sistema bancário aberto levará a uma concorrência muito maior, pois terceiros poderão acessar os dados bancários transacionais de um cliente para oferecer serviços de comparação. Inevitavelmente, bancos mais estabelecidos entrarão nesse mercado de robo-advisor para democratizar o investimento para seus clientes.

O Banco Central Europeu tornou o PSD2 (Payment Services Directive) obrigatório em 13 de janeiro de 2018, esta diretiva obriga os bancos a fornecer acesso às contas correntes (via API)

O Banco Central do Brasil deu início a processo de implementação do Open Banking (Sistema Financeiro Aberto) com objetivo de aumentar a eficiência e a competição no Sistema Financeiro Nacional e abrir espaço para a atuação de novas empresas do setor. Comunicado n° 33.455 em 24 de Abril de 2019.

O robo-advisor tem várias integrações:

  1. Front-end.
  2. Engine (motor do robo-advisor).
  3. Middle Office.
  4. Back Office.

No front, que é abordagem temos simulações e cadastro que podem ser via portal, home broker, mobile, internet banking ou chatbot, esse último pode ser via redes sociais e recentemente via WhatsApp Bussines, ou seja aquela entrega multicanal e sempre pensando com UX (User Experience) ou UI (User Interface), onde vemos a primeira tendência inicial de remover o atrito da jornada do cliente.

No engine (motor) é importante ressaltar que existem vários tipos de robo-advisor, aqueles que fazem cálculos simples como 60-40 para criar um perfil de risco (suitability) e oferecer um leque pequeno de ativos pré-formatados, outros que são híbridos que incluem humanos e robo-advisor nas alocações, vários que trabalham apenas com a metodologia de Markowitz, outros com a metodologia GDI (Goal Driven Investmet). Finalmente como a tecnologia exige inovação temos a metodologia Priority Driven Investment, que é uma versão que abrange essas metodologias de forma melhorada como RoboBanker.

No Middle temos o PMS (program manager system) que em nosso caso usa um Track & Balance para re-calibrar as alocações, o market data (dados dos ativos), o OMS (order manager system) para executar as ordens de investimento, o CRM da empresa (bom para marketing), e como reforço de fidelidade vem relatórios dos assessores internos, emails, push notification para ajustar as carteiras e os famosos calls.

No BackOffice vêm as famosas APIs do Open Banking e é aqui onde o ecosistema da transformação digital financeira tem um casamento forte e importante. Onde é preciso ter acesso às contas dos clientes, não só de um banco, senão de todos onde o investidor final deseja, da mesma forma das corretoras, porque uma API de uma corretora com as posições da carteira, saldo e demais informações vira um open banking de um robo-advisor.

O Open Banking permite um crescimento grande no mercado junto com o robo-advisor porque ambos poderão criar novos negócios para inúmeras fintechs, pequenas, medias e grandes e conquistar aquele mercado gigante de retail de investidores que os bancos nem conseguem chegar, mas que esta no radar e na agenda deles neste instante.

O Open Banking faz parte de um processo sem volta, uma tendência real em todo o contexto da transformação digital financeira, onde segundo as pesquisas das tendências mundiais da indústria bancária, os robôs de investimentos ou robo-advisor é o numero dois das tendências, atrás apenas da melhora do atrito da jornada de clientes, importante ressaltar que a inteligência artificial faz parte de um robo-advisor digno, pois esse robo-advisor digno trabalha com metodologias de analise de estatísticas, histórico de dados e atualização dos mesmos, o que é a raiz de uma inteligência artificial para o mercado de gestão de carteiras. Isso implica que não é necessário ter algum Watson da vida para ter inteligência artificial.

Sobre o UX, no final dos casos um precisa do outro; é como um produto de boa qualidade com embalagem de boa qualidade, o robo-advisor é o produto e o UX ou jornada é a embalagem, mas obviamente sem produto bom, não tem embalagem que faça durar o business.

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